Girl From Ipanema interview 

Girls From Ipanema - enchanting Brazil! (portugues)

 

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ACHEIUSA REVIEW & INTERVIEW (English)

by Neusa Martinez (Brazil on TV)

www.acheiusa.com

- English translation

 

Garotas de Ipanema enchem de graça australianos, americanos...


Por Neusa Martinez/Tradução do inglês: Inter Learning Center

 

" Na segunda quinzena de abril, durante o Festival Internacional de Cinema de Palm Beach, na Flórida, aconteceu o lançamento mundial do filme Girls From Ipanema. Ele foi feito por uma jovem cineasta australiana, Wendy Dent, de respeitável currículo, do qual constam 21 filmes independentes, entre dramas, comédias e documentários. Todos eles escritos, dirigidos, produzidos e editados por ela.


Quando criança, Wendy já escrevia poesias e histórias; dos doze aos dezoito anos, fez estágio num grupo de teatro para crianças; aos dezessete, começou a dar aulas de teatro; dos dezoito aos vinte e um anos desenvolveu trabalhos em teatros de Melbourne como atriz, produtora e escritora. Formou-se no colegial com honras ao mérito, ganhando assim diversas concessões do governo australiano para suas realizações acadêmicas e artísticas. Em 1996, mudou-se para Sydney e começou a estudar cinema. No ano passado, ela participou de festivais na Grécia, Alemanha, República Checa, Bélgica, Canadá, Bahamas e EUA, com o documentário anterior Kissed By A Crocodile. No festival Worldfest Houston, no Texas, ela ganhou o prêmio de Melhor Documentário de Entretenimento, que a consagrou neste ano também com o Gold Award como Melhor Documentário, com o filme Girls From Ipanema.


Troquei alguns e-mails com a Wendy e combinei de conhecê-la na estréia de Girls From Ipanema, no Festival de Palm Beach. Convidei um amigo e fomos juntos. A alegria dela foi imensa quando nos viu: nós éramos os primeiros brasileiros que chegavam! O mais engraçado foi quando ela nos contou como teve a idéia de fazer esse filme. Foi assim: ela estava namorando um carioca que não tirava os olhos das garotas que passavam quando eles estavam na praia. Ela, então, passou a observar as cariocas também. Reparava como eram os biquínis, a forma delas caminharem, brincarem na areia...


Voltando ao festival de Palm Beach, ela estava um pouco nervosa porque seria a primeira vez que seu filme seria mostrado ao público e também a primeira vez que ela iria assisti-lo na telona do cinema. O filme é muito legal! Todas as Garotas de Ipanema estão presentes, a começar pela original, Helô Pinheiro, que deu um depoimento bem-humorado. Também tem entrevistas com uma aspirante a modelo, uma estilista, uma fabricante de biquínis, uma modelo/atriz da agência Mega Models e uma garota que mora na favela da Rocinha. Ainda tem entrevistas com estilistas de biquínis e com um caça-talentos de modelos. Além das cenas feitas na Cidade Maravilhosa, Wendy conseguiu invadir a praia da Fashion Rio e captar imagens das supermodelos Naomi Campbell e Gisele Bundchen.


Vale a pena ler a entrevista com essa cineasta que conseguiu captar a alma de Ipanema.
Esta matéria fica completa com a entrevista que fiz, por telefone, com Helô Pinheiro, a musa inspiradora da música Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinícius de Maraes.

AcheiUSA - Como surgiu o convite para a estréia mundial de seu filme Girls From Ipanema no Palm Beach International Film Festival?


Wendy Dent – No ano passado eu já havia participado deste festival com o documentário Kissed By A Crocodile (Beijada por um Crocodilo), que fez muito sucesso tanto de público quanto de crítica. Eu já havia começado a gravar Girls From Ipanema e comentei com os organizadores deste festival e eles me pediram para avisá-los assim que o filme estivesse pronto. Eu também achei que a Flórida seria um excelente lugar para eu fazer o lançamento, por causa do estilo de vida praiano e pela presença maciça da comunidade brasileira. Era muito importante para mim que as pessoas fossem apreciar e entender um pouco da alma e estilo deste documentário. Também o diretor e o organizador do Festival Internacional de Palm Beach sempre apóiam novos filmes e talentos e fizeram questão de me ajudar para que eu estivesse presente também este ano. Em fevereiro, eu mandei uma cópia crua do filme, eles adoraram e o incluíram na programação do festival. Eu fiquei muito entusiasmada, porém eu teria pouco tempo para finalizar o Girls From Ipanema. Para você ter uma idéia, eu acabei a edição algumas horas antes de entrar no avião rumo aos EUA para a première mundial!


AcheiUSA - Dias depois, esse filme concorreu no festival Worldfest Houston e recebeu o Gold Award, como Melhor Documentário. Como foi isso para você?


Wendy – Ter ganho um Gold Award no Worldfest Houston foi uma grande honra para mim, porque é o maior festival do mundo em termos de quantidade de inscrições que recebe (mais de 4.500), além de ser o terceiro mais antigo festival de filmes dos EUA. É o segundo ano consecutivo que concorro e que também sou premiada. No ano passado o Kisses by a Crocodile ganhou como Melhor Documentário de Entretenimento. O Worldfest de Houston é muito divertido por ser cheio de cineastas independentes de todo o mundo e eu adoro o senso de humor que o festival tem, o slogan deste ano foi “Um dos poucos festivais do Texas que não envolvem gado!” Eles também escreveram nos pôsters “veja do que os filmes são feitos quando não são feitos de dinheiro”. A maior parte dos grandes diretores, como Steven Spielberg, no início de suas carreiras foram premiados neste festival. Então, obrigada Worldfest Houston e Festival Internacional de Palm Beach pelo reconhecimento do Grils From Ipanema!

AcheiUSA - Qual foi a repercussão do filme Girls From Ipanema nestes festivais?


Wendy – UAU! Ver a reação causada na Flórida realmente tocou o meu coração. A platéia ficou excitada, intrigada e os brasileiros ficaram com saudade de casa depois de verem o filme! Depois das exibições as pessoas vieram falar comigo de que ele é alegre, que gostaram das garotas e como elas são charmosas e de personalidade fortes. Uma pessoa me escreveu dizendo assim: “É uma gostosa conversa com algumas garotas de uma cultura diferente.” Um brasileiro me falou que este é o primeiro documentário sobre o Rio de Janeiro que realmente captou sua essência e alma. Ele queria que eu mandasse o filme para o embaixador do Brasil nos EUA. Apareceram tantas pessoas e o mais incrível é que elas ficaram envolvidas pelo filme, seduzidas pela imagem romântica do pôr do sol em Ipanema, embalado pelo ritmo simples da Bossa Nova… Muitos riram com o senso de humor e a beleza das garotas vestidas com aqueles biquínis. É isto o que um cineasta ama: ver a platéia empolgada pelo que estão vendo.


AcheiUSA - Fiquei impressionada quando soube que você já visitou 35 países. Essa sua busca por diferentes culturas seria para enriquecer ainda mais o seu trabalho?


Wendy – Eu viajei por todo o Pacífico, Europa, Ásia e Américas e espero poder, em breve, explorar também a África e o Oriente Médio. Acho que esta experiência de encontrar pessoas fantásticas e de culturas formidáveis, enriquecem e inspiram o meu trabalho. Por esses lugares, conheci pessoas que eu achei dignas de serem compartilhadas com o resto do mundo. Alguém me disse uma vez que um cineasta ou encontra drama na vida real ou vida real em um drama. Eu tenho um histórico em drama e, para mim, os documentários são uma outra forma de contar histórias – encontrar o drama na vida real.


AcheiUSA - Antes de ir pela primeira vez ao Brasil, o que você sabia sobre o país?


Wendy – Eu já tinha visto imagens do Cristo Redentor e pensei “que cidade maravilhosa!”. Mas acho que, infelizmente, assim como a maioria das pessoas, eu pensava que o Brasil todo era igual à Amazônia! Achava também que todos os brasileiros dançavam samba (risos). Depois fui saber mais sobre o Brasil e percebi que é um país atrevido, colorido e empolgante, cheio de pessoas apaixonadas, ritmos maravilhosos e praias de tirar o fôlego! E como eu adoro música, dança e praias, eu pensei comigo mesma: “Este é um lugar que tenho que conhecer!”

AcheiUSA - O que te inspirou a fazer esse documentário no Rio de Janeiro?


Wendy – Por um mês eu vivi com um brasileiro numa cabana no meio da floresta nos arredores do Rio. Era um lugar onde estávamos cercados por borboletas e macacos, mas também muitas aranhas, das quais eu morro de medo. Então a gente sempre dava uma escapada e íamos para a praia de Ipanema. Quando chegávamos na cidade eu me via com vontade de voltar para a mata, por causa do medo que aquela cidade causa. Eu senti como se estivesse correndo de um lado para outro em busca de refúgio! Mas eu adorei a praia de Ipanema, adorei olhar para os biquínis e as pessoas tão lindas, assim como o cara que estava comigo, que não parava de olhar para todas as meninas! Ali estavam as lindas garotas de Ipanema, daquela famosa canção. Eu achei então que seria uma idéia altamente comercial, uma excelente maneira de expressar e explorar a minha fascinação: do glamour, do sol, surf, sexo, samba e da bravura desta maravilhosa cidade envolta em tantos problemas sociais. A diferença entre a minha cultura e a cultura brasileira, mesmo tendo em comum o cenário da praia, foram o princípio de longas conversas com as minhas amigas. Aí começou a Fashion Rio e Naomi Campbell estava na passarela usando os biquínis brasileiros e aparecia nas capas dos jornais. Então eu disse ao cara que estava me hospedando: ‘Vamos ao Fashion Rio! Eu vou dizer a eles que vou fazer um filme a respeito da moda na praia!’ Ele não acreditou que eu poderia fazer isto. Mas, eles me recepcionaram muito bem e nos derem assentos na primeira fileira dos desfiles. Tudo começou daí…

AcheiUSA - Tem uma frase célebre de Glauber Rocha, um dos maiores cineastas brasileiros, que diz “Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça.” Podemos dizer que este filme foi feito com este princípio?


Wendy – Com certeza! A câmera é um meio de expressar, compartilhar e provocar idéias. Para mim é interessante notar através desta citação como as idéias dirigem a câmera, da mesma maneira que a câmera dirige as idéias. Que citação maravilhosa! Eu também gosto muito de uma outra que ouvi de um outro cineasta brasileiro, que eu conheci no Festival de Berlim. Um dia ele disse: “Shoot films, not people!” Que seria “Filme pessoas e não atire nelas!” Em inglês, os verbos atirar e filmar têm a mesma forma.


AcheiUSA – No Rio você foi assaltada ou teve alguma tentativa?


Wendy – Eu freqüentemente sentia muito medo. Uma vez eu vi um homem morto na rua e isto me chocou. Eu nunca fui assaltada, mas houve uma tentativa de roubo e eu, por muitas vezes, me encontrei em situações difíceis e de perigo. Eu viajei para muitos países, mas nunca senti o grau de medo que senti no Brasil, mesmo que eu estivesse fora da cidade ou acompanhada de outras pessoas.

AcheiUSA - Como foi sua experiência em gravar na favela da Rocinha?


Wendy – Eu me senti muito segura e bem-vinda ao filmar na Rocinha, graças à ajuda do meu amigo Marcelo Armstrong e da Ana Cláudia, da Favela Tours e Copa Roca e, claro, pela gentileza da Lisiane, uma linda garota da Rocinha que também está no filme Garotas de Ipanema. Eles até me convidaram para passar o Natal na casa deles e eu teria adorado isso! Eu senti tanto em ter que voltar para a Austrália, mas é que eu precisava editar o filme. Eu pretendo voltar ao Rio de Janeiro no fim deste ano para o Natal e ficar até o Carnaval. Muitos dos meus amigos cariocas me fizeram sentir como se eu estivesse em família e como se eu fosse uma carioca. Eu sinto MUITO a falta deles! Bem, quando eu estava sozinha na Rocinha eu me senti um pouco mais insegura, e quando estava acompanhada eles ficavam receosos de estarem comigo alí. Me lembro de um dia que eles até me puxaram para o chão quando ouviram fogos de artifícios pensando ser barulho de bala. Então, eu me cerquei de todas as precauções e antes de ligar a câmera pensava bem em quem é que eu ia filmar, porque eu não queria deixar ninguém nervoso. Estar na Rocinha foi uma ótima experiência.


AcheiUSA - O que você achou da riqueza e pobreza conviverem lado a lado na Cidade Maravilhosa?


Wendy – A maioria das pessoas na Austrália é de classe média e poucas pessoas são muito ricas ou muito pobres. Nas cidades onde existe mais essa diferença, as pessoas moram longe umas das outras. Isto é tão diferente no Rio de Janeiro! Isto me intrigou e achei ser um tópico muito interessante para eu explorar no filme. Eu gosto do fato de que todos estão juntos na praia. As pessoas dizem que não há segregação, mas acho mesmo que o costume dos postos (separações na praia) e as diferentes vestimentas são uma forma de segregação. “Será que eu sou ‘cool’ o suficiente para me juntar ao pessoal do Posto 9? ” É como se eu precisasse ter um biquíni da moda para me colocar ao lado de pessoas de um determinado grupo. Eu nunca tive que pensar nisso antes. Me vestia como queria e ia aonde queria sem nunca ter que me preocupar o que iriam pensar de mim por causa do que eu estou vestindo ou de onde estou. Na Austrália não existe este negócio e também a atitude lá é de que todos devem ser iguais em qualquer lugar. As pessoas que têm muito dinheiro na Austrália nem de longe jogam sua riqueza na cara dos outros. É considerado uma boa coisa estar na média, tanto que as pessoas que têm uma melhor condição tendem nivelar-se mais baixo e disfarçar a diferença. Outra coisa muito engraçada e que me diverte muito no Rio é que a periferia parece ter as melhores propriedades: as favelas ficam nas montanhas e as vistas são maravilhosas!!! Na Austrália, quanto mais alta a propriedade, mais cara ela é. Então, acho muito irônico o fato de que as propriedades mais caras são as de mais baixa altitude. Talvez seja a proximidade do rico e do pobre que faz do Rio de Janeiro esta mistura tão interessante de pessoas e culturas, mas que ao mesmo tempo também é uma mistura muito volúvel!


AcheiUSA - Como foi o seu encontro com Helô Pinheiro? Você já sabia que ela foi musa inspiradora do Jobim e Vinícius?


Wendy – Eu já tinha ouvido de amigos meus que havia sido ela a musa inspiradora e isto me fascinou. Então, da Austrália, eu pesquisei pela internet e antes que eu voltasse para o Brasil para terminar as filmagens eu entrei em contato com ela. A Helô Pinheiro se mostrou muito feliz de poder estar no filme. Mas ela é tão atarefada que conseguir uma hora com ela para um entrevista foi um desafio, mas valeu a pena! Eu adorei conhecê-la. Ela é uma graça, supercarismática e engraçada. Eu pude ver porque ela é amada por tantas pessoas. Ela realmente abrilhantou o documentário e ter seu depoimento, foi algo de valor inestimável.

AcheiUSA - Como são as garotas da Austrália?


Wendy - Boa pergunta! Acho que tenho que passar um pouco mais de tempo na praia na Austrália e pensar... Na praia, as garotas australianas têm o costume de ficar de topless, mas elas raramente usam biquínis tão mínimos como as brasileiras. Porém, eu acho hilário ver garotas australianas com suas calcinhas na praia, até mesmo as de algodão cor da pele! Você sabia que na Austrália tem uma marca de lingerie chamada RIO? A propaganda na TV é com duas garotas australianas andando na praia de Ipanema e todos os rapazes nem dão bola para elas e ficam só olhando para as cariocas. As duas maravilhosas australianas, que estavam usando lindos vestidos de praia, tiram seus vestidos e começam a andar na praia só de lingerie da marca Rio! Eu sempre me lembro deste anúncio quando estou em Ipanema. Agora, se alguma mulher usar um biquíni brasileiro na Austrália todo cara vai ficar de olho grudado nela.


AcheiUSA - O que você pensa sobre o cinema comercial, hoje em dia?


Wendy – Eu adoro filmes comerciais e eu aprecio as produções de Hollywood, bem como produções independentes do mundo todo. Mas, às vezes, eu acho os filmes comerciais um pouco chatos. Já o documentário tem o lado das pessoas de como elas vêem, sentem ou reagem em relação a diferentes assuntos e culturas. Chega a emocionar ver uma entrevista espontânea que, em muitos casos, é mais realista e profunda do que uma performance de um ator. Uma coisa que eu gosto no Girls From Ipanema é que é um documentário bem comercial, fácil de colocar no mercado e atraente para o público, porque tem um estilo bem irônico, artístico, desafia e confronta as pessoas.

 

Palm Beach International Film Festival opening night & 'Girls From Ipanema' director portrait session with Wendy Dent, photos by Ray Mickshaw

 

 

FULL NEWS RELEASE; Film festival success of

Girls From Ipanema

& Kissed By A Crocodile

 

 

 

 

Wendy Dent at Palm Beach Film Festival opening premiere

 

Wendy Dent & Nia Vardalos (star of "My Big Fat Greek Wedding") on Palm Beach opening night

Palm Beach Film Festival Gala 2003

 

at Palm Beach Film Festival 2004 Premiere & (above) at Opening Night Party with director Rick McKay

Wendy Dent, a break from filming 'Girls from Ipanema'

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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